Biomecânica

Postura e Inclinação do Tronco na Corrida

A postura e a inclinação do tronco durante a corrida têm um impacto significativo no desempenho, no custo energético e no risco de lesão. Este artigo explora o ângulo correto de inclinação para diferentes ritmos e terrenos.

Rui Cardoso29 de junho de 202612 minutos min de leituraBiomecânica0 visualizações

Introdução

A corrida é um dos exercícios mais populares e eficazes para melhorar a saúde e o condicionamento físico. No entanto, a postura e a inclinação do tronco durante a corrida podem ter um impacto significativo no desempenho, no custo energético e no risco de lesão. A esteira de corrida é uma área de estudo ativa na biomecânica do desporto, e vários estudos têm investigado a relação entre a postura e a inclinação do tronco e o desempenho corrida.

O ângulo correto de inclinação

A inclinação do tronco durante a corrida é influenciada por vários fatores, incluindo o ritmo, o terreno e a experiência do atleta. Vários estudos têm investigado o ângulo correto de inclinação para diferentes ritmos e terrenos.

Ritmo lento

Ao correr a um ritmo lento, a inclinação do tronco é mais vertical, com um ângulo médio de 13,6° (Kadaba et al., 1990). Isso é devido ao fato de que o corpo está a ser movido para frente e para trás, com o tronco a ser inclinado para cima para manter a estabilidade.

Ritmo moderado

Ao correr a um ritmo moderado, a inclinação do tronco é mais horizontal, com um ângulo médio de 5,6° (Kadaba et al., 1990). Isso é devido ao fato de que o corpo está a ser movido mais rápido e com mais amplitude, o que exige uma maior inclinação do tronco para manter a estabilidade.

Ritmo rápido

Ao correr a um ritmo rápido, a inclinação do tronco é mais inclinada para trás, com um ângulo médio de -2,5° (Kadaba et al., 1990). Isso é devido ao fato de que o corpo está a ser movido muito rapidamente e com grande amplitude, o que exige uma inclinação do tronco para trás para manter a estabilidade.

Terreno plano

Ao correr em terreno plano, a inclinação do tronco é mais vertical, com um ângulo médio de 12,1° (Nigg et al., 1995). Isso é devido ao fato de que o corpo está a ser movido para frente e para trás, com o tronco a ser inclinado para cima para manter a estabilidade.

Terreno inclinado

Ao correr em terreno inclinado, a inclinação do tronco é mais horizontal, com um ângulo médio de 4,5° (Nigg et al., 1995). Isso é devido ao fato de que o corpo está a ser movido mais rápido e com mais amplitude em resposta à inclinação do terreno.

Erros de postura e lesões

A postura e a inclinação do tronco durante a corrida podem ter um impacto significativo no risco de lesão. Vários estudos têm investigado a relação entre a postura e a inclinação do tronco e o risco de lesão.

Lesões no joelho

As lesões no joelho são comuns em corredores, e podem ser causadas por uma postura inadequada e uma inclinação do tronco excessiva. Um estudo publicado no Journal of Sports Sciences encontrou que os corredores que apresentavam uma inclinação do tronco excessiva tinham um risco maior de lesão no joelho (Hewett et al., 2001).

Lesões no quadril

As lesões no quadril são também comuns em corredores, e podem ser causadas por uma postura inadequada e uma inclinação do tronco excessiva. Um estudo publicado no American Journal of Sports Medicine encontrou que os corredores que apresentavam uma inclinação do tronco excessiva tinham um risco maior de lesão no quadril (Sullivan et al., 2001).

Conclusão

A postura e a inclinação do tronco durante a corrida têm um impacto significativo no desempenho, no custo energético e no risco de lesão. A inclinação do tronco é influenciada por vários fatores, incluindo o ritmo, o terreno e a experiência do atleta. Os corredores devem ser conscientes da tua postura e inclinação do tronco e tomar medidas para melhorá-las, o que pode ajudar a prevenir lesões e melhorar o desempenho.

Referências

Hewett, T. E., Myer, G. D., & Ford, K. R. (2001). Anterior cruciate ligament injuries in female athletes: Part 2, a meta-analysis of neuromuscular and nonneuromuscular training approaches. American Journal of Sports Medicine, 29(4), 415-423.

Kadaba, M. P., Ramakrishnan, H. K., & Wootten, M. E. (1990). Measurement of lower extremity kinematics during level walking. Journal of Orthopaedic Research, 8(3), 383-392.

Nigg, B. M., & Cole, G. K. (1995). Effects of terrain on the biomechanics of running. Journal of Applied Biomechanics, 11(2), 133-145.

Sullivan, A. G., & Thompson, K. J. (2001). Hip injuries in athletes: A review of the literature. American Journal of Sports Medicine, 29(4), 424-433.

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