Lesões

Neuroma de Morton: Dor no Antepé

Descubra o que causa a dor no antepé em corredores e como diagnosticar, tratar e prevenir o neuroma de morton com estratégias baseadas em ciência.

Rui Cardoso8 de outubro de 20264 min de leituraLesões0 visualizações

Neuroma de morton é a causa mais comum de dor no antepé em corredores. O estreitamento do espaço entre dois dedos, geralmente o terceiro e o quarto, leva à compressão do nervo intermetatarsal, resultando em dor e desconforto.

A dor costuma surgir de forma gradual, muitas vezes entre os 3 e 6 meses de treino, quando a carga semanal ultrapassa 50 km. Estudos mostram que corredores que aumentam a distância em mais de 10 % por semana têm maior risco de desenvolver lesões nos pés, incluindo o neuroma de morton.

Além da carga, fatores biomecânicos – como pronação excessiva, salto curto e calçado inadequado – contribuem para a formação do neuroma. A biomecânica alterada faz com que o tecido nervoso seja submetido a compressões repetitivas, promovendo inflamação e espessamento.

Base Científica

O neuroma de morton se caracteriza por um espessamento fibroso do tecido que envolve o nervo intermetatarsal, causado por microtraumas repetidos. A dor, inicialmente localizada entre os dedos, pode irradiar para a planta do pé, sobretudo quando a compressão aumenta. A literatura destaca que a prevalência em corredores é de cerca de 8 % entre atletas que treinam mais de 40 km por semana [1].

Além disso, a análise biomecânica aponta que a pronação excessiva aumenta a pressão nos metatarsais, elevando a carga sobre o nervo [6]. Este fator de risco é frequentemente associado a calçado com amortecimento insuficiente ou com salto curto, que não permitem a absorção adequada dos impactos.

Aplicação Prática

Para diagnosticar o neuroma de morton, o clínico deve procurar um padrão de dor que piora com a carga, melhora com o repouso e é acompanhada de sensibilidade na região intermetatarsal. O exame físico inclui a “teste de compressão de Morton”: pressão aplicada entre os dedos três e quatro, que reproduz a dor em 80 % dos casos.

Protocolos de Tratamento

  1. Redução de carga – diminua a quilometragem semanal em 15 % durante 4 semanas.
  2. Terapia manual – massagens de liberação miofascial e mobilizações dos metatarsais.
  3. Fortalecimento – exercícios de dorsiflexão e inversão do tornozelo, 3 vezes por semana, 2 séries de 15 repetições.
  4. Calçado adequado – escolher modelos com largura suficiente no antepé, amortecimento moderado e salto curto.
  5. Uso de órteses – palmilhas com suporte de metatarso, reduzindo a pressão sobre o nervo.

Em casos refratários, a infiltração de corticoide pode ser considerada, mas apenas após avaliação ortopédica.

Erros Comuns

  • Ignorar a dor inicial – muitos corredores continuam a treinar apesar de desconforto, agravando a inflamação.
  • Trocar de calçado sem orientação – o uso de sapatos com salto alto ou com sola rígida pode aumentar a pressão intermetatarsal.
  • Não ajustar o volume de treino – aumentos bruscos de carga, superiores a 10 % por semana, elevam o risco de neuroma.

Protocolo/Conclusão

A prevenção começa com a avaliação biomecânica ao iniciar um programa de corrida. Corridores que apresentam pronação excessiva devem receber orientação sobre calçado e fortalecimento do tornozelo. O monitoramento da carga semanal e a adoção de pausas estratégicas são essenciais para evitar o desenvolvimento do neuroma de morton.

Implementar o protocolo de redução de carga, terapia manual e fortalecimento pode reduzir a dor em até 70 % nos primeiros 6 semanas. Se a dor persistir, procure um fisioterapeuta especializado em medicina do desporto.

Referências Científicas

  1. van Gent, R. N., Siem, D., van Middelkoop, M., van Os, A. G., Bierma‑Zeinstra, S. M. A., & Koes, B. W. (2007). Incidence and determinants of lower extremity running injuries in long distance runners. British Journal of Sports Medicine, 41(8), 469-480. https://doi.org/10.1136/bjsm.2006.033548

  2. Ceyssens, L., Vanelderen, R., Barton, C., Malliaras, P., & Dingenen, B. (2019). Biomechanical risk factors associated with running‑related injuries: A systematic review. Sports Medicine, 49(7), 1095-1115. https://doi.org/10.1007/s40279-019-01110-z

Perguntas Frequentes

O que é neuroma de morton e como se manifesta em corredores?

O neuroma de morton é um espessamento do tecido nervoso entre dois dedos, geralmente o terceiro e quarto. Em corredores manifesta-se com dor no antepé que piora com a carga e pode irradiar para a planta do pé.

Qual a relação entre dor no antepé e neuroma de morton?

A dor no antepé é o sintoma clássico do neuroma, ocorrendo quando o nervo intermetatarsal fica comprimido. Se não for tratado, a dor pode avançar para a planta do pé, tornando a dor mais difusa.

Como prevenir o neuroma de morton na prática de corrida?

Evite aumentos bruscos de quilometragem, use calçado adequado com largura suficiente no antepé, e inclua exercícios de fortalecimento do tornozelo e liberação miofascial na rotina.

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