O desporto do trail running ganhou crescente popularidade nos últimos anos, com muitos corredores a optar por esta modalidade como forma de se desafiar e melhorar a resistência. No entanto, muitos acreditam que caminhar em trail é uma fraqueza, uma forma de "cair na realidade" e não cumprir com os padrões de uma corrida de elite. Esta perspetiva é, infelizmente, um mito que precisa de ser desmascarado.
A corrida em trail é, de facto, uma forma de corrida que implica movimentar-se por terrenos irregulares e acidentados, o que exige uma variedade de habilidades e adaptações diferentes daquelas necessárias para uma corrida de estrada. Além disso, a natureza do terreno e a altitude pode afectar a forma como o corpo reage à atividade física, o que pode levar a uma maior tensão e stress durante a corrida. No entanto, este facto não significa que caminhar em trail seja uma fraqueza, mas sim uma estratégia inteligente para se adaptar às condições do terreno e melhorar a performance.
Base Científica
A corrida em trail é uma forma de corrida que requer uma combinação de força, resistência e coordenação motora. De acordo com o estudo de Scheer et al. (2020), a corrida em trail envolve uma maior atividade muscular e uma maior frequência cardíaca do que a corrida de estrada. Além disso, o estudo de Millet et al. (2011) mostrou que a corrida em trail pode causar uma maior tensão muscular e uma maior produção de lactato do que a corrida de estrada.
Essas diferenças são devido à natureza do terreno e à altitude, que podem afetar a forma como o corpo reage à atividade física. Por exemplo, quando corremos em terrenos irregulares, precisamos de utilizar músculos diferentes para nos manter estáveis, o que pode levar a uma maior tensão muscular. Além disso, a altitude pode causar uma maior frequência cardíaca e uma maior produção de lactato, o que pode levar a uma maior tensão e stress durante a corrida.
Aplicação Prática
Então, como podemos aplicar essas informações em prática? Aqui estão algumas dicas para ajudar a melhorar a performance em trail:
- Treino em terrenos irregulares: Para se adaptar às condições do terreno, é importante treinar em terrenos irregulares, como montanhas ou florestas. Isso ajudará a fortalecer os músculos e a melhorar a coordenação motora.
- Treino com peso: Para melhorar a resistência, é importante adicionar peso ao treino, como carregando um saco de treino ou correndo com um par de sapatilhas pesadas.
- Treino em altitude: Para se adaptar à altitude, é importante treinar em locais com altitudes elevadas, como montanhas ou planícies elevadas. Isso ajudará a melhorar a resistência e a reduzir a tensão muscular.
Erros Comuns
Existem alguns erros comuns que os corredores em trail cometem, que podem afetar a performance e a segurança. Aqui estão alguns exemplos:
- Subestimar o terreno: Muitos corredores subestimam o terreno e não se preparam adequadamente para as condições do terreno. Isso pode levar a uma maior tensão muscular e uma maior produção de lactato.
- Não utilizar equipamento adequado: Muitos corredores não utilizam equipamento adequado, como sapatilhas ou calças de neve, o que pode levar a lesões e a uma maior tensão muscular.
- Não beber suficiente água: Muitos corredores não beber suficiente água durante a corrida, o que pode levar a desidratação e a uma maior tensão muscular.
Protocolo/Conclusão
Em conclusão, caminhar em trail não é uma fraqueza, mas sim uma estratégia inteligente para se adaptar às condições do terreno e melhorar a performance. Ao treinar em terrenos irregulares, utilizar equipamento adequado e beber suficiente água, podemos melhorar a resistência e a coordenação motora, e reduzir a tensão muscular e a produção de lactato. Lembre-se de que a corrida em trail é uma forma de corrida que requer uma combinação de força, resistência e coordenação motora, e que a prática e a preparação são fundamentais para se alcançar o sucesso.
Referências Científicas
- Scheer, V., Basset, P., Giovanelli, N., Vernillo, G., Millet, G. P., & Costa, R. J. S. (2020). Defining off-road running: a position statement. Sports Medicine, 50(3), 1-13. https://doi.org/10.1007/s40279-019-01237-0
- Millet, G. Y., Tomazin, K., Verges, S., et al. (2011). Neuromuscular consequences of an extreme mountain ultra-marathon. PLoS ONE, 6(2), e17059. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0017059
- Vernillo, G., Giandolini, M., Edwards, W. B., Morin, J. B., Samozino, P., Horvais, N., & Millet, G. Y. (2017). Biomechanics and physiology of uphill and downhill running. Sports Medicine, 47(4), 615-629. https://doi.org/10.1007/s40279-016-0605-y
- Balducci, P., Clémençon, M., Trama, R., Blache, Y., & Hautier, C. (2017). Performance factors in a mountain ultramarathon. International Journal of Sports Medicine, 38(11), 819-825. https://doi.org/10.1055/s-0043-112339
