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MARATONA

Gestão de Energia e Resistência à Fadiga

Guia científico completo de treino para maratona. Fisiologia, zonas de treino, periodização, nutrição e os erros mais comuns. Baseado em investigação científica.

Visão Geral

A maratona é, fisiologicamente, a prova mais complexa do atletismo de estrada. Requer 3 a 5 horas de esforço contínuo — muito acima da capacidade de armazenamento de glicogénio muscular. A transição metabólica para a oxidação de gorduras, a resistência à fadiga central e a gestão do ritmo são os fatores determinantes entre cruzar a linha com um novo recorde pessoal ou enfrentar o temido "muro" dos 30-35 km. Entender a fisiologia da maratona é o primeiro passo para treinar de forma verdadeiramente inteligente.

Fisiologia

BASE CIENTÍFICA

A maratona é corrida a 75-85% do VO2max, ligeiramente abaixo do limiar anaeróbico. O glicogénio muscular e hepático começa a esgotar-se por volta do km 28-32 em atletas não adaptados. A partir daí, o organismo recorre crescentemente à oxidação de ácidos gordos — um processo mais lento e menos eficiente. A "fadiga central" — mediada por alterações nos neurotransmissores do sistema nervoso central, nomeadamente a serotonina — amplifica a percepção de esforço nos últimos quilómetros.

Zonas de Intensidade

  • Z1-Z2 (Base aeróbia): 60-70% do volume semanal total
  • Ritmo de maratona específico: 15-20% do volume
  • Z3-Z4 (Limiar): 10-15% do volume
  • Z5 (VO2max): <5% — apenas em fases iniciais

Tipos de Treino

  • Long run progressivo: 28-38 km com os últimos 8-12 km a ritmo de maratona
  • Treino de maratona específico: 2×16 km ou 3×12 km a ritmo alvo
  • Tempo runs de 10-16 km ligeiramente abaixo do ritmo de maratona
  • Corridas de ativação metabólica em jejum (sob supervisão nutricional)
  • Treino de força: agachamentos, deadlifts, exercícios de core — 2x/semana
Volume: 80-120 km/semana no pico de treino para atletas de performance; 60-80 km/semana para atletas amadores com objetivo de completar a prova

Erros Comuns

Aumentar o volume semanal mais de 10% por semana (Lei dos 10%)
Ignorar a nutrição durante os long runs — simula sempre as condições de prova
Correr todos os treinos a ritmo de maratona — a maioria deve ser em Z1-Z2
Não incluir semanas de recuperação a cada 3-4 semanas de carga
Abandonar o treino de força nas últimas semanas — é quando mais importa

Perguntas Frequentes

Quantas semanas demora um plano de treino para maratona?

Um plano científico de maratona tem entre 16 e 20 semanas para atletas com base aeróbia. Para iniciantes sem base, recomenda-se 24 semanas. A periodização divide-se em fase base (aeróbia), fase específica (ritmo de maratona) e taper (redução de 2-3 semanas antes da prova).

Qual é o ritmo ideal de treino para maratona?

O ritmo de maratona é determinado pelo limiar anaeróbico individual. Em termos práticos, corresponde a um ritmo onde consegues falar frases curtas mas sentes esforço claro. Testes de lactato ou testes de campo como o teste de 30 minutos permitem calibrar este ritmo com precisão.

Como evitar o "muro" nos 30 km?

O "muro" é uma realidade bioquímica causada pela depleção de glicogénio. Para o evitar: (1) não começar mais rápido do que o ritmo treino, (2) ingerir 60-90g de carboidratos por hora a partir do km 10, (3) treinar o organismo a usar mais gorduras com long runs em zona 2.

Quando devo fazer o taper antes da maratona?

O taper começa 2-3 semanas antes da prova. Na primeira semana de taper reduz 30-40% do volume; na segunda, 50-60%; na semana da prova, mantém apenas corridas curtas de ativação. Não reduza a intensidade, apenas o volume.

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