Treino

Intervalos Curtos vs. Longos: Qual Desenvolve Melhor o VO2max?

Um estudo de 2025 com corredores treinados compara intervalos curtos e intensos com intervalos longos tradicionais. O resultado vai surpreender-te.

Rui Cardoso25 de junho de 20255 min de leituraTreino0 visualizações

A questão que divide treinadores: é melhor fazer intervalos curtos e muito intensos, ou intervalos longos a 90-95% do VO2max? Um estudo recente publicado no PMC (2025) testou exatamente isto — e os resultados foram surpreendentes.

O estudo

A investigação comparou dois protocolos de intervalos em corredores treinados:

Protocolo A (curtos e intensificados): intervalos de 30-60 segundos a intensidade superior ao VO2max, com recuperações encurtadas

Protocolo B (longos tradicionais): intervalos de 4-8 minutos a ~90-95% do VO2max

O objetivo era medir o tempo acima de 90% do VO2max — que é o principal estímulo para as adaptações aeróbicas de topo.

Resultado: Os intervalos longos tradicionais geraram mais tempo acima de 90% do VO2max do que os curtos intensificados, apesar de estes serem mais intensos.

Por que é que os intervalos longos funcionam melhor?

A explicação fisiológica é intuitiva: com intervalos muito curtos, o sistema cardiovascular não tem tempo de atingir e manter intensidade cardiorrespiratória máxima. É como tentar aquecer um motor com acelerações de 5 segundos.

Com intervalos de 4-8 minutos, o VO2 tem tempo de subir e manter-se próximo do máximo durante a maior parte do esforço.

Os intervalos mais eficazes para VO2max

Com base na evidência atual, os formatos mais eficazes para estimular adaptações no VO2max:

4×4 minutos a 90-95% da FC máxima Com 3 minutos de recuperação ativa. Protocolo de Helgerud — um dos mais estudados. Aumentos de VO2max de 5-10% em 8 semanas em estudos controlados.

5×5 minutos a ritmo de 5km pace Versão ligeiramente mais longa. Muito usado em corredores de longa distância.

Corrida contínua de 20-40 minutos a 85-90% FC máxima Alternativa para quem tolera mal os intervalos. Menos eficaz que os intervalos para VO2max mas muito útil para o limiar de lactato.

Quantas sessões por semana?

1-2 sessões de alta intensidade por semana é o range suportado pela evidência para a maioria dos corredores. Mais do que 2 sessões semanais de alta intensidade tende a comprometer a recuperação sem acrescentar benefício adicional.

O erro mais comum: fazer demasiado volume a intensidade média-alta, sem chegar nem ao "muito fácil" nem ao "verdadeiramente difícil".

Para que nível de corredor fazem sentido os intervalos?

Os intervalos de alta intensidade têm maior impacto quando:

  • Tens pelo menos 6 meses de base aeróbica consistente
  • Consegues correr 40+ minutos sem paragem
  • A tua frequência cardíaca de repouso já baixou visivelmente com o treino

Para iniciantes, o foco em volume de baixa intensidade é mais eficaz e mais seguro.

Referências Científicas

Mølmen, K. S., et al. (2025). Faster intervals, faster recoveries: Intensified short VO2max running intervals are inferior to traditional long intervals in terms of time spent above 90% VO2max. PMC, 11743937. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11743937/

Helgerud, J., et al. (2007). Aerobic high-intensity intervals improve VO2max more than moderate training. Medicine & Science in Sports & Exercise, 39(4), 665–671. https://doi.org/10.1249/mss.0b013e3180304570

Seiler, S. (2010). What is best practice for training intensity and duration distribution in endurance athletes? International Journal of Sports Physiology and Performance, 5(3), 276–291. https://doi.org/10.1123/ijspp.5.3.276

Buchheit, M., & Laursen, P. B. (2013). High-intensity interval training, solutions to the programming puzzle. Sports Medicine, 43(5), 313–338. https://doi.org/10.1007/s40279-013-0029-x

Newsletter

Mais artigos como este.

Ciência do treino direto no teu email — grátis, sem spam, cancela quando quiseres.

  • 3 artigos científicos por semana, em resumo
  • Estudos e novidades antes de saírem no site
  • Zero spam — cancela com um clique