O treino de corrida de manhã em jejum é uma prática comum entre corredores de elite e amadores. A ideia é que o jejum durante a noite permita que o corpo entre em um estado de "autofagia", em que as células do corpo sejam consumidas para produzir energia. Isso pode levar a uma queima de gordura mais eficiente e uma melhoria na capacidade de realizar exercícios intensos. No entanto, a ciência por trás disso é mais complexa do que se pode imaginar.
Muitos corredores acreditam que correr em jejum é uma forma de melhorar a resistência e a capacidade de realizar exercícios de alta intensidade. Alguns até acreditam que é uma forma de perder peso ou reduzir a gordura corporal. No entanto, a evidência científica é mais ambígua do que isso. Por um lado, estudos têm mostrado que o jejum pode levar a uma melhoria na capacidade de realizar exercícios de alta intensidade, pois o corpo precisa recorrer a fontes de energia diferentes, como a gordura. Por outro lado, o jejum também pode levar a uma perda de peso muscular e uma diminuição da capacidade de realizar exercícios de baixa intensidade.
A verdade é que o efeito do jejum no treino de corrida depende de muitos fatores, incluindo o tipo de treino, a duração do jejum e o nível de condicionamento físico do corredor. Neste artigo, vamos explorar a base científica por trás do treino de corrida em jejum e discutir como aplicar essa informação em prática.
Base Científica
O treino de corrida em jejum é baseado na ideia de que o corpo entra em um estado de "autofagia" quando não há comida no estômago. Isso significa que as células do corpo sejam consumidas para produzir energia. No entanto, a autofagia não é um processo simples e pode ser influenciado por muitos fatores, incluindo a duração do jejum, a intensidade do treino e o nível de condicionamento físico do corredor.
Um estudo publicado no International Journal of Sports Physiology and Performance encontrou que o jejum pode levar a uma melhoria na capacidade de realizar exercícios de alta intensidade, pois o corpo precisa recorrer a fontes de energia diferentes, como a gordura (Seiler, 2010). No entanto, outro estudo publicado no Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports encontrou que o jejum pode levar a uma perda de peso muscular e uma diminuição da capacidade de realizar exercícios de baixa intensidade (Laursen, 2010).
Aplicação Prática
Se você está considerando fazer treino de corrida em jejum, aqui estão algumas dicas para aplicar essa informação em prática:
- Duração do jejum: A duração do jejum é importante. Se você tiver um jejum de 12 a 14 horas, é provável que o seu corpo tenha consumido a maioria das suas reservas de glicogênio e comece a queimar gordura para produzir energia. No entanto, se você tiver um jejum de mais de 24 horas, é provável que o seu corpo comece a queimar músculo para produzir energia.
- Intensidade do treino: A intensidade do treino é importante. Se você estiver fazendo um treino de alta intensidade, é provável que o jejum não tenha um impacto significativo na sua performance. No entanto, se você estiver fazendo um treino de baixa intensidade, o jejum pode levar a uma perda de rendimento.
- Nível de condicionamento físico: O nível de condicionamento físico do corredor é importante. Se você estiver um corredor experiente, é provável que o jejum não tenha um impacto significativo na sua performance. No entanto, se você estiver um corredor iniciante, o jejum pode levar a uma perda de rendimento.
Erros Comuns
Aqui estão alguns erros comuns que os corredores cometem ao fazer treino de corrida em jejum:
- Jejum excessivo: Jejum por mais de 24 horas pode levar a uma perda de peso muscular e uma diminuição da capacidade de realizar exercícios de baixa intensidade.
- Treino inadequado: Treino de baixa intensidade pode levar a uma perda de rendimento e uma perda de peso muscular.
- Falta de hidratação: Falta de hidratação pode levar a uma perda de rendimento e uma perda de peso muscular.
Protocolo/Conclusão
Em resumo, o treino de corrida em jejum pode ser eficaz para melhorar a capacidade de realizar exercícios de alta intensidade, mas é importante considerar a duração do jejum, a intensidade do treino e o nível de condicionamento físico do corredor. Além disso, é importante evitar erros comuns, como jejum excessivo, treino inadequado e falta de hidratação. Se você está considerando fazer treino de corrida em jejum, é importante consultar um treinador ou um médico para obter orientação personalizada.
Referências Científicas
- Seiler, S. (2010). What is best practice for training intensity and duration distribution in endurance athletes? International Journal of Sports Physiology and Performance, 5(3), 276-291. https://doi.org/10.1123/ijspp.5.3.276
- Laursen, P. B. (2010). Training for intense exercise performance: high-intensity or high-volume training? Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 20(s2), 1-10. https://doi.org/10.1111/j.1600-0838.2010.01184.x
- Buchheit, M., & Laursen, P. B. (2013). High-intensity interval training, solutions to the programming puzzle. Sports Medicine, 43(5), 313-338. https://doi.org/10.1007/s40279-013-0029-x
- Bompa, T. O., & Buzzichelli, C. (2018). Periodization: Theory and Methodology of Training (6th ed.). Human Kinetics.
