Fisiologia

Adaptações Cardíacas ao Treino de Endurance

O treino de endurance pode alterar significativamente o coração do atleta, aumentando a capacidade cardíaca e melhorando a eficiência da entrega de oxigênio aos músculos.

Rui Cardoso4 de julho de 202612 min de leituraFisiologia0 visualizações

Anatomia Cardíaca e Treino de Endurance

O coração é um órgão essencial para a sobrevivência, responsável por bombear sangue oxigenado para as células do corpo. Durante o treino de endurance, o coração sofre alterações significativas para adaptar-se às novas demandas impostas pelo exercício regular. As adaptações cardíacas ao treino de endurance podem ser divididas em três categorias principais: aumento do tamanho das câmaras cardíacas, aumento do volume de ejeção e alterações na frequência cardíaca em repouso.

Aumento do Tamanho das Câmaras Cardíacas

O treino de endurance pode levar a um aumento significativo do tamanho das câmaras cardíacas, o que é conhecido como hipertrofiade das câmaras cardíacas. Isso ocorre devido à necessidade de o coração bombear mais sangue para atender às demandas do exercício. Um estudo publicado no Journal of Applied Physiology encontrou que o treino de endurance pode aumentar a capacidade cardíaca em até 25% em apenas 8 semanas de treino regular (1).

A hipertrofiade das câmaras cardíacas é causada pela estimulação dos receptores beta-1 adrenérgicos no coração, que ativam a via de sinalização que leva à síntese de proteínas e crescimento celular. Além disso, o treino de endurance também pode levar a uma alteração na expressão gênica das proteínas que compõem as câmaras cardíacas, o que contribui para o aumento do tamanho das câmaras cardíacas (2).

Aumento do Volume de Ejeção

O volume de ejeção é a quantidade de sangue que o coração é capaz de bombear em um único batimento cardíaco. Durante o treino de endurance, o volume de ejeção aumenta significativamente, o que é necessário para atender às demandas do exercício. Um estudo publicado no American Journal of Physiology encontrou que o treino de endurance pode aumentar o volume de ejeção em até 15% em apenas 6 semanas de treino regular (3).

O aumento do volume de ejeção é causado pela hipertrofiade das câmaras cardíacas e pela melhoria da funcionalidade cardíaca. Além disso, o treino de endurance também pode levar a uma alteração na expressão gênica das proteínas que compõem as válvulas cardíacas, o que contribui para a melhoria da funcionalidade cardíaca (4).

Alterações na Frequência Cardíaca em Repouso

A frequência cardíaca em repouso é a taxa em que o coração bate quando o indivíduo está em repouso. Durante o treino de endurance, a frequência cardíaca em repouso pode diminuir significativamente devido à adaptação cardíaca ao treino regular. Um estudo publicado no European Journal of Applied Physiology encontrou que o treino de endurance pode diminuir a frequência cardíaca em repouso em até 10% em apenas 4 semanas de treino regular (5).

A diminuição da frequência cardíaca em repouso é causada pela melhoria da funcionalidade cardíaca e pela hipertrofiade das câmaras cardíacas. Além disso, o treino de endurance também pode levar a uma alteração na expressão gênica das proteínas que compõem as fibras musculares cardíacas, o que contribui para a melhoria da funcionalidade cardíaca (6).

Conclusão

O treino de endurance pode levar a significativas adaptações cardíacas, incluindo aumento do tamanho das câmaras cardíacas, aumento do volume de ejeção e diminuição da frequência cardíaca em repouso. Essas adaptações cardíacas são essenciais para a melhoria da capacidade cardíaca e para a eficiência da entrega de oxigênio aos músculos durante o exercício. Portanto, é fundamental que os treinadores e os atletas estejam cientes dessas adaptações cardíacas e as considerem ao planejar e ao executar o treino de endurance.

Referências

  1. Green, H. J. (2010). Effects of endurance exercise on cardiac function in humans. Journal of Applied Physiology, 108(3), 571-583.
  2. Zhang, Y. (2007). Exercise-induced cardiac hypertrophy: Molecular mechanisms. Journal of Molecular and Cellular Cardiology, 43(3), 261-272.
  3. Fleg, J. L. (2009). Effects of endurance exercise on cardiac function in older adults. American Journal of Physiology-Heart and Circulatory Physiology, 297(3), H833-H841.
  4. Matsuda, Y. (2013). Exercise-induced changes in cardiac function and structure in rats. Journal of Applied Physiology, 115(1), 53-62.
  5. Boushel, R. (2010). Effects of endurance exercise on resting heart rate in humans. European Journal of Applied Physiology, 108(3), 533-541.
  6. Yamashita, N. (2007). Exercise-induced changes in cardiac gene expression in rats. Journal of Molecular and Cellular Cardiology, 43(3), 273-283.

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